quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cão Blues!


"paramramram
saí de casa sem nada na mão
paramramram
tive cuidado a fechar o portão
paramramram
pra não entalar a pila ao meu cão
paramramram
não entalar, não não, não não
paramramram"

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parece um ataque cardíaco, mas não o é.

É o coração que quer fugir
para um longínquo lugar
onde se queira quedar,
onde só bem se sente,
onde a alguém pertence.

É a pressão de mil suspiros
suspensos num fôlego sem ar
por querer e não encontrar,
por desejar ter e não ter,
por não saber já o que ser.

É o vazio, o peso que se sente,
como se tivesse em mim
um pequeno mundo sem fim,
um vasto oceano gelado,
um universo desabitado.

É a força de uma ausência
presente em cada cheiro ou som,
em cada gesto ou recordação,
em cada fotografia ou memória,
em cada palavra ou história.

É o amor que nos ensandece
e nos enche de saudade
de quem ama de verdade,
de quem sofre sem razão,
de quem perdeu o coração.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

years gone by

I don't remember feeling this way
not since nineteen ninety eight.
I've just forgot when i was fine
around year nineteen ninety nine.
but I was standing so sad and low
about the year twenty double oh.
so all the good things were gone
in the year two thousand and one.
and then I start feeling so blue,
the year was two thousand and two.
I've prayed so hard to be free
starting from two thousand and three.
but my happiness came no more,
not even in two thousand and four!
and I couldn't tell if I was alive
in the year two thousand and five.
I've found that my heart had no fix,
oh cruel year two thousand and six!
then i've thought I was in heaven
in sweet year two thousand seven!
only wished it wasn't to late
somewhere two thousand and eight.
now I've found this girl of mine
in this year two thousand and nine.
so, gotta know, will I be happy then
next year two thousand and ten?

...

Hoje acordei e vi no espelho aquele olhar vazio que um dia jurei nunca vir a ter..

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tears, Idle Tears (ou o meu poema favorito)

Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.

Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.

Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.

Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others, deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more.

(de Lord Alfred Tennyson, The Princess (1847))

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quantos quantos?

Quantos dias passaram
Desde que perdi o caminho?
Quantos pessoas me amaram
Até que fiquei tão sozinho?
Quantos sonhos não sonhei?
Quantas lágrimas eu chorei?

Quantas vozes se calaram
Até que deixei de ouvir?
Quantos sorrisos se perderam
Para um dia voltar a sorrir?
Quantas recordações esqueci?
Quantos amigos eu perdi?

Quantas palavras disseram
Quando tão pouco foi dito?
Quantos ouvidos escutaram
Cada meu silencioso grito?
Quantas noites sem dormir?
Quanta vontade de partir?

Quantos sonhos e planos?
Quantos desenganos?
Quantos lamentos?
Quanta farsa?
Quantos sentimentos?
Quanto desgraça?
Quantos longos dias?
Quantas noite frias?
Quantas esperas?
Quantas demoras?
Quantas quimeras?
Quantas horas?
Quanta incerteza?
Quanta dor?
Quanta tristeza?
Quanto amor?
Quanta...?
Quanto...?
Tanta...
Tanto...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

cada...

cada meu lamento, gritado ao vento.
cada lágrima, no chão derramada.
cada meu suspiro, perdido no tempo
e assim minha vida ficou definhada.
cada meu amor, ao sol esquecido.
cada mágoa, chorada de madrugada.
cada minha palavra, que não digo
e tudo perdido, fiquei sem nada.

cada meu remorso, meu pensamento.
cada minha sorte, tão mal fadada.
cada novo dia, um novo desalento
e assim minha vida foi desperdiçada.
cada minha dor, cada meu castigo.
cada ferida aberta, mal fechada.
cada meu sorriso, logo perdido
e minha alma, ficou destroçada.