As palavras que te não disse, escrevo-as, para que nunca as leias...
Escrevo para te dizer que o vento dançou toda a tarde num turbilhão de sacos e papéis, segredando pelos abismos, inundando as ruas com a tua ausência. Eu estava sentado num cais da cidade e a pensar em coisas mais mundanas, e a tua voz veio humedecer-me os olhos com a pressa de uma convicção inabalável. Movi-me dolorosamente, uma madeixa do teu cabelo veio ondular-me os lábios de um fôlego suave, colocar-me um pássaro qualquer nas mãos ásperas, e, naquele instante, reaprendi as linhas de carvão e o ácido da tua pele. A essência sólida da tua força interior.
Escrevo para te dizer que olhei da janela do comboio e vi o teu rosto no azul e verde da paisagem. E nesse instante a tua calma atingiu-me, barrenta, uma onda indelével de paz preenchendo-me os poros com a terra omnipresente do teu corpo adolescente. A tua mão nua, os teus dedos quentes vieram rasgar-me a boca, subtrair-me as palavras irrelevantes, deslumbrar-me de pétalas. Queria ter achado o néctar do teu corpo dissecado de terra prometida. Penso em ti duas vezes por dia; tudo o que acontece em mim é a sombra da presunção de um vale demorando-se de céu, engrenado de dor no meu olhar.
Escrevo para te dizer que um raio de luz percorreu as curvas de um jarro e veio tocar-me as pontas dos dedos. Às vezes lembras-me um tempo imaginário. Os segundos, dentro de mim, rodopiam como um momento de cansaço, o odor metálico de uma pedra decifrando os espaços imprevisíveis de uma sala na mais perfeita escuridão. Estive um dia inteiro a contar-te as ilhas do mar, a imaginar-te na respiração do vapor condensado no copo, a descrever-te nas vagas de um silêncio embaraçoso... Lá fora, a tarde continua tranquila, as nuvens dos teus gestos voltam a naufragar-me de solidão.
Escrevo para te dizer de um navio perdido no oceano, como um país espalhado nas duas margens de um rio adormecido. Debrucei-me certa vez sobre o teu rosto e o vento veio molhar-me a face com a espuma faminta do seu casco, reclamar-me a alma num grito de vida, queimar-me as pálpebras com os sítios invisíveis que, lágrima a lágrima, impregnam o meu corpo do teu perfume marinheiro. E eu, distraído (ou qualquer manhã de mim), percorri as margens indefinidas, as dunas acabadas de repente, o ritmo dourado do teu corpo, acabei detendo-me no teu peito, como uma criança, ainda.
Escrevo...
quarta-feira, 18 de julho de 2007
terça-feira, 17 de julho de 2007
História
há uma historia como outra qualquer
que de boca em boca se diz
do amor entre um homem e sua mulher
e como pode o amor ser infeliz
dizem que à noite com ela sonhou
e nessa manha tardia a viu
desde logo seu coração se enamorou
quando ela ao longe lhe sorriu
apaixonaram-se sem pressa nem demora
amaram-se muito, algum tempo,
mas tudo acabou em má hora
entregando-os ao triste desalento
em breve a alma dela partiria
para muito longe, mais além
de onde o seu amor iria
e depois mais nada ficou bem
ele deixou de comer, de falar
e mesmo o céu se estremecia
com tanta dor e penar
tão pouca sorte e alegria
era uma figura triste e bela
de tão doce vida e encanto
e como ele sofria por ela
que até à sua morte a foi amando
e o seu triste pranto cantava
e os seus lamentos gemia
e com toda a força a amava
e de paixão mortal morria
tudo o que lhe restou foi dor
já não tinha mais que viver
e foi tão forte o seu amor
que por ela se deixou morrer
que de boca em boca se diz
do amor entre um homem e sua mulher
e como pode o amor ser infeliz
dizem que à noite com ela sonhou
e nessa manha tardia a viu
desde logo seu coração se enamorou
quando ela ao longe lhe sorriu
apaixonaram-se sem pressa nem demora
amaram-se muito, algum tempo,
mas tudo acabou em má hora
entregando-os ao triste desalento
em breve a alma dela partiria
para muito longe, mais além
de onde o seu amor iria
e depois mais nada ficou bem
ele deixou de comer, de falar
e mesmo o céu se estremecia
com tanta dor e penar
tão pouca sorte e alegria
era uma figura triste e bela
de tão doce vida e encanto
e como ele sofria por ela
que até à sua morte a foi amando
e o seu triste pranto cantava
e os seus lamentos gemia
e com toda a força a amava
e de paixão mortal morria
tudo o que lhe restou foi dor
já não tinha mais que viver
e foi tão forte o seu amor
que por ela se deixou morrer
terça-feira, 10 de julho de 2007
Shiu!!
shiu!!
ouçam o silêncio. calem-se de vez.
façam uso de boa sensatez
e deixem de falar
comentar ou gritar
a cantar ou a chorar...
calem-se os tristes, os palermas, incapazes ou ignorados
calem-se os errantes que nos dizem que estamos errados.
deixem-me falar a mim um pouco
não me importa que me tratem como louco
nem me importa se de mim se rirem
podem até ficar contentes ou irritados
que me mostrem os dentes irados
quero lá saber daquilo que sentirem
quero é ser ouvido:
tou farto de tudo isto
de não ser compreendido
do meu futuro comprometido
de tudo eu desisto
a culpa é certamente de alguém
de um anjo vindo do inferno
que se diz de todos e não é de ninguém
e dos menos felizes sofre desdem
pois do seu olhar terno
junto com o seu sorriso sereno
tal beleza nenhum outro tem.
quando a vi fiquei em alvoroço
depois que a conheci fiquei fascinado
de um fascinio tao verdadeiro
que de um coração inteiro
e por ela maravilhado
deixou-me a alma num destroço
maldita a noite ou dia, sei lá quando a conheci
deixou de haver alegria em mim, tudo perdi
mas nao quero guardar tristezas, nem lágrimas, nem rancor
mas sim o seu olhar e, talvez, algum amor
agora calem-se todos e ouçam por favor
por favor...
ouçam o silêncio. calem-se de vez.
façam uso de boa sensatez
e deixem de falar
comentar ou gritar
a cantar ou a chorar...
calem-se os tristes, os palermas, incapazes ou ignorados
calem-se os errantes que nos dizem que estamos errados.
deixem-me falar a mim um pouco
não me importa que me tratem como louco
nem me importa se de mim se rirem
podem até ficar contentes ou irritados
que me mostrem os dentes irados
quero lá saber daquilo que sentirem
quero é ser ouvido:
tou farto de tudo isto
de não ser compreendido
do meu futuro comprometido
de tudo eu desisto
a culpa é certamente de alguém
de um anjo vindo do inferno
que se diz de todos e não é de ninguém
e dos menos felizes sofre desdem
pois do seu olhar terno
junto com o seu sorriso sereno
tal beleza nenhum outro tem.
quando a vi fiquei em alvoroço
depois que a conheci fiquei fascinado
de um fascinio tao verdadeiro
que de um coração inteiro
e por ela maravilhado
deixou-me a alma num destroço
maldita a noite ou dia, sei lá quando a conheci
deixou de haver alegria em mim, tudo perdi
mas nao quero guardar tristezas, nem lágrimas, nem rancor
mas sim o seu olhar e, talvez, algum amor
agora calem-se todos e ouçam por favor
por favor...
terça-feira, 3 de julho de 2007
RitmoAmorPoesia
o que fazer quando o coração não cala a dor?
esquecer? beber muito e afogar o amor?
ou aguentar mais um pouco e sofrer?
tentar ser forte, seguir em frente, viver
uma vida que nunca tive e sempre sonhei?
...
fale quem sabe que eu ja não sei
quem sou, se vivo ou existo!
não sei se consigo, se resisto
a este amor não previsto.
por isso não luto, mas insisto
mesmo sabendo que no fim desisto.
fico preso a tudo isto
como na cruz também ficou Cristo
quando solene recebia a morte,
eu choro e lamento a minha sorte!
já não consigo ser forte
nem alegre, nem feliz
já não sou um petiz
e tudo o que o mundo diz
é simples, sem corte nem recorte
esperar que o plano não aborte
planear uma outra saída
com mais sentido nesta vida
quem me cura esta ferida
que o coração já não cura
porque a vida foi-me sempre dura
durante o tempo que o tempo perdura.
estou perdido nesta aventura,
mas aventurado não quero ser
estou farto de tanto sofrer
Meu Deus! só quero morrer
e nunca mais ter que te ver,
ver-te a ver-me a sofrer assim
noites e dias, tempo sem fim
quando, finalmente, tudo para mim
se esvanece e se perde no ar
vou parar, finalmente, de lutar
mas vou continuar, sempre, a amar!!
esquecer? beber muito e afogar o amor?
ou aguentar mais um pouco e sofrer?
tentar ser forte, seguir em frente, viver
uma vida que nunca tive e sempre sonhei?
...
fale quem sabe que eu ja não sei
quem sou, se vivo ou existo!
não sei se consigo, se resisto
a este amor não previsto.
por isso não luto, mas insisto
mesmo sabendo que no fim desisto.
fico preso a tudo isto
como na cruz também ficou Cristo
quando solene recebia a morte,
eu choro e lamento a minha sorte!
já não consigo ser forte
nem alegre, nem feliz
já não sou um petiz
e tudo o que o mundo diz
é simples, sem corte nem recorte
esperar que o plano não aborte
planear uma outra saída
com mais sentido nesta vida
quem me cura esta ferida
que o coração já não cura
porque a vida foi-me sempre dura
durante o tempo que o tempo perdura.
estou perdido nesta aventura,
mas aventurado não quero ser
estou farto de tanto sofrer
Meu Deus! só quero morrer
e nunca mais ter que te ver,
ver-te a ver-me a sofrer assim
noites e dias, tempo sem fim
quando, finalmente, tudo para mim
se esvanece e se perde no ar
vou parar, finalmente, de lutar
mas vou continuar, sempre, a amar!!
domingo, 1 de julho de 2007
adeus...
adeus coração, parte sem rumo nem fim,
viaja muito, viaja de noite e de dia.
procura lá fora felicidade e alegria
que nunca encontras-te dentro de mim.
adeus mãos, cessem de escrever
tudo o que não quero recordar,
a memória do tempo por apagar,
do tempo que deixei de viver.
adeus boca, que não soube falar
as palavras certas antes de partir,
sentindo o que sempre quis sentir,
as palavras doces depois de beijar.
adeus olhos, que não querem mais ser
tristes e infelizes, sempre a chorar.
cansados de tanto, tanto olhar
por quem um dia deixaram de ver.
adeus lágrimas, caiam no chão
e afoguem-me este vil ardor
que me ensandece a razão.
mas uma lágrima perdida na dor
não me apaga esta paixão,
mais alenta-me este amor.
viaja muito, viaja de noite e de dia.
procura lá fora felicidade e alegria
que nunca encontras-te dentro de mim.
adeus mãos, cessem de escrever
tudo o que não quero recordar,
a memória do tempo por apagar,
do tempo que deixei de viver.
adeus boca, que não soube falar
as palavras certas antes de partir,
sentindo o que sempre quis sentir,
as palavras doces depois de beijar.
adeus olhos, que não querem mais ser
tristes e infelizes, sempre a chorar.
cansados de tanto, tanto olhar
por quem um dia deixaram de ver.
adeus lágrimas, caiam no chão
e afoguem-me este vil ardor
que me ensandece a razão.
mas uma lágrima perdida na dor
não me apaga esta paixão,
mais alenta-me este amor.
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