quinta-feira, 17 de julho de 2008

Coração que sapateia

sapateia meu coração descompassado
sinto o seu bater no meu peito
uns dias vai alegremente agitado
noutros cambaleia triste, sem jeito

sapateia, sem saber o que sente
se ora está triste ou contente
se vive preso ou voa livremente
porque também ele é gente

gente que sente assim tão sério
como meu coração, neste mundo
há pouca, mas seu maior mistério
é o que sente assim tão profundo

tão profundamente sente dor
como quem não saiba amar
mas mesmo não sentindo amor
ele contínua, sozinho, a sapatear.

tempo perdido

sem saber como dizer o que sinto
sinto tudo aquilo que não digo,
guardo segredos de mim para mim
que ate as minhas confissões minto
por não querer receber o castigo
nem a dor que me aguarda no fim

é tão difícil para mim dar
um pouco a quem pouco me quer
ou muito a quem já tudo tem.
não me basta só alguém amar,
porque tudo o que eu fizer
afinal não me faz nenhum bem

talvez um dia me vá esquecer
destes tempos tão amargos,
vivendo dia-a-dia a desilusão
e procurando não me perder
entre tantos sonhos acordados,
sonhando sempre com solidão

um dia mais tarde vou rir
deste meu perdido desnorte
ter pés na terra, cabeça no ar.
mas nesta hora só quero fugir
partir, desafiar a minha sorte
para bem longe deste lugar.

penosamente passa o tempo
sem pressa nem demora,
arrastando-se tão devagar,
prolongando meu lamento
em que minha alma chora
o tempo perdido por amar.