Da lareira sopra um vento frio
o fogo consumido gela-me a alma,
a brasa que não vejo dança no vazio,
nela, perdido, busco por uma chama
que me ensandeça de razão
que me aqueça o coração.
Já a chuva encontra o chão
e torrentes castigam o telhado,
o lume apagou-me a paixão
e de lágrimas fico queimado.
não sinto sede nem fartura
só uma dor que o tempo perdura
Lá fora já cai a noite dura
sobre os montes abandonados,
sobe alto no céu uma negra lua
e fustigam ventos desalmados.
e sem sentir o que o coração sente
morro mais uma vez, morro novamente.
Mergulho no vazio da minha mente
como quem se esfumaça no ar,
por ti procuro perpétuamente,
para que me possas, talvez, salvar
deste insano e excessivo ardor
com uma réstia do teu amor...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
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