terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parece um ataque cardíaco, mas não o é.

É o coração que quer fugir
para um longínquo lugar
onde se queira quedar,
onde só bem se sente,
onde a alguém pertence.

É a pressão de mil suspiros
suspensos num fôlego sem ar
por querer e não encontrar,
por desejar ter e não ter,
por não saber já o que ser.

É o vazio, o peso que se sente,
como se tivesse em mim
um pequeno mundo sem fim,
um vasto oceano gelado,
um universo desabitado.

É a força de uma ausência
presente em cada cheiro ou som,
em cada gesto ou recordação,
em cada fotografia ou memória,
em cada palavra ou história.

É o amor que nos ensandece
e nos enche de saudade
de quem ama de verdade,
de quem sofre sem razão,
de quem perdeu o coração.