segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eu, ser....

Eu, ser imundo, desgraçado
vejo a vida, lado a lado
com a morte, aqui representado.
Eu, ser triste, inconformado
vivo na dor, desolado
contemplo Deus, venero o Diabo.
Eu, ser sombrio, fatais
mais dos que demais,
destruo os sonhos dos meus pais,
suspiro contentamente os meus ais.
Eu ser, ou ser eu
disse o poeta, profeta, alegoria
de uma dispersa alegria
que um dia queria
poder não ser eu....

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A cor do meu amor

Procurei encontrar esse teu olhar
um só sorriso teu, no alto do céu
suspenso no ar por um fio de luar
despido do véu que era senão eu.

Desgarrado, rouco, solto um grito louco
que me faz voar para além do mar,
como fui louco por achar ser pouco
no sono sonhar o que era amar.

Tristeza e alegria, êxtase e agonia
são realidade, em mim verdade.
cego de dia, na noite não via
toda a saudade da tua vaidade

No pouco que vivi já muito sofri
o ardor que me consome na dor
de viver sem ti, mas para ti
e seres só tu a cor do meu amor.

Monstro

Pesadelos, tormentos, trevas
noite escura, fechada, cerrada
mas tu deitada nas ervas
não fugis-te, não fizeste nada

Ficas-te com o monstruoso
sujo, imundo e sozinho
vis-te nele algo maravilhoso
deste-lhe afecto e algum carinho

mas a criatura uivou ferozmente
um grito oco e com exaltação
com medo ficas-te contente
pois ele também tinha coração

Beijas-te-o e ficou sóbrio
olhou-se no lago, sem fim,
contemplou-se a ele próprio
e deixou de viver em mim!

Há muito tempo....

Quando tinha metade da minha existência escrevi isto:

Sou poeta
Poeta triste
Triste profeta
Profeta que existe

Existe amizade
Amizade certa
Certa idade
Idade incerta

Incerta paixão
Paixão louca
Louca ilusão
Ilusão pouca

Pouca cor
Cor de amor
Amor ardente
Ardente ardor

Ardor que dói
Dói a ferida
A ferida não vai
Vai a vida...