segunda-feira, 24 de março de 2008

A palavra

Na verdade não sei como dizer como me sinto.

Palavras que dizem demasiado, mas não o suficiente,

Conheço-as a todas e não conheço nenhuma.

Mas sem dizer a verdade, sei que minto

Porque palavras que o meu coração sente

Sinto que, de verdade, meu coração conhece uma.


(talvez um dia acabe....)

Tão...

Tão turvados são meus pensamentos

Que de tão desgosto estão assombrados

Por tão tristes sentimentos

Por tão tristes lamentos

E que de tão dor acostumados

Se vão ficando, tão turvados.

sábado, 1 de março de 2008

Até já...

Sentado na mesa com vista sobre o rio, onde tanto falamos, sentindo o aroma do café a invadir-me de calor recordo-me que foste tu que me viciaste neste mundo.
Nunca nos foi fácil a separação, porque gostamos de sorrir e não de chorar. E nesta madrugada quando te beijei senti a tua face molhada e sei que também sentiste a minha. Não precisamos de falar, porque não sabemos o que dizer. Nunca precisamos de muitas palavras, só de um abraço e um "até já"!
Nunca dissemos "adeus", porque o adeus prolonga-se no tempo, é mais difícil de assimilar, é mais penoso e menos suportável e tem nele algo de mau agoiro. Ensinaste-me que entre nós era sempre "até já", porque assim parece que nos vamos voltar a ver logo à noite, e a tua ausência torna-se menos evidente, porque estás em todo o ar que respiro dentro de casa, onde te vejo e sinto a cada momento e onde a cada momento sinto a tua falta.
Perdi-te mais uma vez, mas não te perdi para sempre, nunca te perderei para sempre. Porque sei que vais voltar e eu vou estar aqui, à tua espera, sorriso nos lábios, braços bem abertos para acolher o teu corpo cansado e vamos voltar a rir e voltaremos a esta mesa, olhar para este mesmo rio que nunca muda, mas que nunca é igual, vamos pedir dois cafés e falar sobre tudo e sobre nada.
Não demores a voltar, mas volta bem.
Volta com saúde, volta bem-disposto e com a alegria que sempre te conheci nos olhos e nas feições de homem adulto, honesto, inteligente, amigo e companheiro.
Volta porque me fazes falta e preciso de ti para seres o meu exemplo, para seres o meu melhor amigo como sempre foste, para eu poder ser uma extensão de ti, da tua vida.
Volta porque é aqui a tua casa...
Falta menos um dia para o teu regresso...
Até já pai...
Até já...