Sentado na mesa com vista sobre o rio, onde tanto falamos, sentindo o aroma do café a invadir-me de calor recordo-me que foste tu que me viciaste neste mundo.
Nunca nos foi fácil a separação, porque gostamos de sorrir e não de chorar. E nesta madrugada quando te beijei senti a tua face molhada e sei que também sentiste a minha. Não precisamos de falar, porque não sabemos o que dizer. Nunca precisamos de muitas palavras, só de um abraço e um "até já"!
Nunca dissemos "adeus", porque o adeus prolonga-se no tempo, é mais difícil de assimilar, é mais penoso e menos suportável e tem nele algo de mau agoiro. Ensinaste-me que entre nós era sempre "até já", porque assim parece que nos vamos voltar a ver logo à noite, e a tua ausência torna-se menos evidente, porque estás em todo o ar que respiro dentro de casa, onde te vejo e sinto a cada momento e onde a cada momento sinto a tua falta.
Perdi-te mais uma vez, mas não te perdi para sempre, nunca te perderei para sempre. Porque sei que vais voltar e eu vou estar aqui, à tua espera, sorriso nos lábios, braços bem abertos para acolher o teu corpo cansado e vamos voltar a rir e voltaremos a esta mesa, olhar para este mesmo rio que nunca muda, mas que nunca é igual, vamos pedir dois cafés e falar sobre tudo e sobre nada.
Não demores a voltar, mas volta bem.
Volta com saúde, volta bem-disposto e com a alegria que sempre te conheci nos olhos e nas feições de homem adulto, honesto, inteligente, amigo e companheiro.
Volta porque me fazes falta e preciso de ti para seres o meu exemplo, para seres o meu melhor amigo como sempre foste, para eu poder ser uma extensão de ti, da tua vida.
Volta porque é aqui a tua casa...
Falta menos um dia para o teu regresso...
Até já pai...
Até já...
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